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Blog Izyncor

O que é Terror Psicológico?

A primeira vez que tive contato com o termo “terror psicológico” foi através da série de jogos Silent Hill, com um punhado de sequências e dois filmes (até então). Era apaixonado por Resident Evil, a conhecida franquia de jogos de zumbis ganhadora de várias adaptações (duvidosas), mas havia algo de diferente em Silent Hill. A imersão era incrível; totalmente aterrorizante, claustrofóbica. Queria entender o porquê do acréscimo do “psicológico” ao gênero “terror”. O que havia de especial ali?

Após ler bastante sobre o assunto, descobri que o termo era usado não só nos videogames, mas também na literatura e no cinema. Apaixonei-me tanto pelo nebuloso tema, me aprofundei tanto, que escrevi o Livro Caligem com o intuito de criar uma obra capaz de fazer jus ao subgênero. Acontece que alguns, erroneamente, associam o terror psicológico à loucura, à esquizofrenia dos personagens, como se tudo fosse apenas fruto das cabeças deles.

Não.

Pode haver loucura, mas o significado do termo não se resume a isso. O objetivo é afetar o psicológico do espectador, do leitor, do jogador; fazê-lo imergir a ponto de causar real desconforto, paranoia, o medo mais primordial: o do desconhecido. E isso é feito colocando-o na mente do protagonista. É bem mais complexo e fascinante do que parece. Não importa se a ameaça é real ou sobrenatural: o que define o subgênero é a forma como é construído, suas características.

Não saber com o que se lida ou do que a ameaça é capaz nos deixa impotentes. Se não temos ferramentas para nos defender, pouca ou nenhuma esperança, nosso instinto de sobrevivência não sabe como agir. Correr ou lutar não são opções. Imaginar inúmeras possibilidades sem ter certeza de nenhuma é inquietante; ataca nossa ansiedade, nos deixa à flor da pele. O terror psicológico explora o desconhecido. A escuridão não é assustadora porque estamos sozinhos, e sim porque não temos certeza da solidão. Diferente do terror tradicional, que trabalha com o explícito, com o sangue, com o susto, com monstros horripilantes ou assassinos sanguinários, o terror psicológico é calcado na antecipação, na sugestão: temos medo de sangrar, não sabemos a forma da criatura, o que ela pode fazer, de onde vai vir, ou simplesmente não temos chance aparente de nos defender. Um ótimo exemplo é o filme A Corrente do Mal. Nele, a ameaça apenas caminha e pode tomar qualquer forma, surgindo de qualquer lugar.

Além do desconhecido, outro elemento primordial nesse subgênero é a atmosfera. Florestas sombrias, casas mal-assombradas e cemitérios não necessariamente garantem o caráter assustador da obra. Nem mesmo a noite é essencial: A Corrente do Mal, por exemplo, acontece durante o dia na maior parte do longa. Qualquer cenário pode se tornar assustador, mesmo fugindo dos clichês. O que determina o desconforto é a atmosfera criada, a imersão proporcionada. No terror psicológico, geralmente temos ambientes claustrofóbicos, hostis, geradores de sensação de insegurança e perigo iminente. Nesse contexto, locais familiares são um prato cheio: um lugar que deveria ser um porto seguro agora é seu cativeiro. Há algo errado, perturbador. Falamos de impotência, paranoia, ansiedade, medo. Não há terror psicológico sem suspense; mas esse, apesar das semelhanças, é outro gênero.

Isso fica para outro texto.

Até lá. 

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