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Estamos realmente sozinhos?

Você com certeza já teve a impressão de estar sendo observado ao andar sozinho, em um ambiente desconhecido, em uma festa, no trabalho ou outro ambiente “seguro”. O que às vezes se confirma quando você move a cabeça e percebe que há alguém te encarando. E provavelmente já teve essa sensação no conforto do seu quarto, com a porta trancada e as luzes apagadas, quando não há a mínima chance de haver alguém ali além de você. A ciência sempre tem uma explicação lógica, mas será que ela é suficiente?

A sensação de estar sendo observado é conhecida como “ilusão de vigilância”. Esta ilusão pode ser causada por diversos fatores, incluindo sugestão, medo, ansiedade, paranoia e atenção seletiva, que é a capacidade do nosso cérebro de se concentrar em informações importantes e filtrar as irrelevantes. O córtex visual capta as imagens e o cérebro as processa, selecionando aquilo que faz sentido à nossa consciência. Quando sentimos que estamos sendo observados, nosso cérebro está atento a informações que podem indicar a presença de outra pessoa, como sons, movimentos ou sombras. Esse instinto era extremamente útil quando morávamos nas cavernas, e predadores mortais podiam estar à espreita.

Além disso, a sugestão pode desempenhar um papel importante na criação da ilusão de vigilância. Se alguém nos diz que está nos observando, nosso cérebro pode se concentrar mais em pistas que confirmam essa ideia, mesmo que a pessoa não esteja realmente nos observando.

O medo, a ansiedade e a paranoia também podem contribuir para essa sensação. Se estamos em um ambiente desconhecido ou inseguro, nosso cérebro pode estar alerta para possíveis ameaças, o que pode nos fazer sentir que estamos sendo observados, mesmo que não haja ninguém por perto.

Você está realmente sozinho?

Mas e se houver?

E se nosso cérebro não captou algo que não faria sentido e não o processou visualmente no território da consciência, como um rosto no escuro, onde deveríamos estar sozinhos? Não temos consciência do que está lá, mas nosso subconsciente não nos deixa enganar, nos atormentando com a incômoda sensação de não estarmos sozinhos. E tais informações inconscientes são digeridas em forma de pesadelos.

E isso acontece independentemente da sua religião ou crença. Eu mesmo, que sou ateu, tenho tal sensação de vez em quando. Mas é inegável que quanto mais acreditamos em algo, maiores as chances de tal coisa nos incomodar. Você provavelmente não teme ser assombrada por Anúbis ou pelo monstro do armário, mas creio que demônios e fantasmas podem sim deixá-lo sem dormir. É por isso que o medo é relativo, e um livro, filme, série ou jogo que é extremamente assustador para uma pessoa, não é para a outra. O mesmo vale para a comédia. Não há nada capaz de ser unânime em causar gargalhadas.

Aí entra o poder do Terror Psicológico. Os livros, que não possuem o privilégio de usar a trilha sonora ou o visual, abusam da poderosa ferramenta da imaginação. E quando exploram o desconhecido, a probabilidade de afetarem a mente do leitor é muito maior. Não saber com que está se lidando é muito mais aterrorizante. Um bom livro de terror te incomoda durante a leitura; um livro realmente assustador vai te assombrar muito depois de fechar as páginas.

Por isso, escolhi explorar em meu livro, a Síndrome do Obsessor, do psiquiatra holandês Zachary Van Smirren. Segundo ela, quando nos damos conta do que supostamente nos observa, passamos a ser atormentados pelo que ela chama de “Obsessor”. E dependendo do psicológico do paciente, três estágios são desenvolvidos, gradualmente degenerando a mente da vítima, que acredita ser observada, ouvir vozes e sons bizarros, ver alucinações, e no último estágio, até ter o delírio de ser fisicamente atacada. O ponto é que esta é a visão científica da coisa. Em meu livro, deixo claro que há uma grande possibilidade de tal síndrome ser algo sobrenatural, além da nossa compreensão. Quem tem ou já teve terror noturno, paralisia do sono, pode acreditar na explicação da ciência, ou encarar que algo desconhecido, aterrorizante está acontecendo, esmagando seu peito, incapacitando-o de se mover.

E fica o alerta. O gatilho para ativar a síndrome, ou o que quer que seja a entidade responsável, é apenas ter consciência do que o observa, procurar por ela, olhar para ela. Qualquer um pode desenvolvê-la, e é algo irreversível, já que a medicina moderna desconhece a tese de Smirren e diagnostica como esquizofrenia. Em tradução livre, como disse o filósofo Nietzsche, “Quando você olha por muito tempo para o abismo, o abismo olha de volta para você”.

Por mais irresponsável que seja da minha parte, não me responsabilizo se, após ler Caligem, você acredite nunca mais estar sozinho, e as coisas podem escalar muito rápido.

 

Comigo nunca aconteceu, mas você teria coragem de arriscar?

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