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O prazer em sentir Medo

Enquanto algumas pessoas consomem mídias como videogames, livros, filmes e séries com o intuito de sentir medo, outras passam longe de qualquer coisa capaz de evocar essa emoção. Pessoas consideradas medrosas têm uma vida difícil e limitante, mas será que viveriam melhor se não ficassem com medo em momento algum? Existe uma explicação para o aparente prazer que alguns de nós experenciamos com o terror?

Primeiro, vamos entender a importância do medo na nossa sobrevivência.

POR QUE PRECISAMOS SENTIR MEDO?

Várias implicações para nossa segurança e bem-estar surgiriam se não sentíssemos medo. Ele é uma emoção fundamental e desempenha um papel importante na sobrevivência e na proteção do indivíduo. O medo nos ajuda a reconhecer e evitar situações perigosas. Sem o sentimento, seríamos mais propensos à exposição a riscos significativos. Não teríamos um sistema de alerta interno responsável por nos impedir de entrar em situações potencialmente prejudiciais.

O medo nos ajuda a adotar medidas de precaução para evitar danos. Sem essa emoção, poderíamos negligenciar precauções básicas de proteção, como usar cintos de segurança, evitar lugares perigosos ou seguir instruções de saúde. Isso poderia levar a um aumento na ocorrência de acidentes e ferimentos. O medo nos ajuda a avaliar e antecipar riscos potenciais. Sem ele, seríamos incapazes de identificar ameaças e tomar decisões sobre como lidar com elas. Isso poderia levar a comportamentos impulsivos, colocando-nos em situações de perigo desnecessário.

O sentimento também cumpre um papel fundamental na aprendizagem e na formação de memórias. O medo condicionado, por exemplo, colabora para a associação de certos estímulos ameaçadores ao fato de absorvermos algo bom com experiências negativas. Sem essa resposta, nossa capacidade de aprender com os perigos e evitar a repetição de comportamentos arriscados seria prejudicada. Ele também desempenha um papel na regulação emocional e na proteção contra o estresse excessivo. Sem o medo, poderíamos ter dificuldade de identificar e lidar com situações estressantes, o que poderia levar a problemas de saúde mental, como ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático.

Ficou claro que o medo é uma emoção essencial, mas seu excesso ou a presença de fobias e transtornos ansiosos podem ser prejudiciais à qualidade de vida. O equilíbrio emocional e uma resposta ao medo apropriada são essenciais para uma rotina saudável e segura. Esses dados, porém, não explicam por que é tão divertido ir a um brinquedo como a montanha-russa, pular de paraquedas ou ler um livro que promete deixar você sem dormir. É isso que vamos discutir a seguir.

POR QUE GOSTAMOS DE SENTIR MEDO?

Eu provavelmente morreria se fosse um personagem de qualquer filme de terror. E não gostaria nem um pouco de ter um ente querido assassinado, ver meus amigos sendo torturados ou ser traumatizado por uma entidade demoníaca. Mas lá vou eu me divertir vendo isso em terceira pessoa, no conforto do meu lar. É loucura, não é?

A atração pelo medo é um fenômeno fascinante e complexo. Embora as preferências pessoais possam variar, há várias razões psicológicas pelas quais algumas pessoas gostam de senti-lo. Ele pode proporcionar uma dose de adrenalina, por exemplo. A sensação de perigo iminente ativa o sistema nervoso simpático, desencadeando uma resposta de “luta ou fuga”. Esta pode levar a um aumento dos batimentos cardíacos, respiração acelerada e um sentimento geral de excitação, semelhante a praticar esportes radicais ou fazer passeios emocionantes.

Além disso, sentir medo em situações seguras, como assistir a um filme de terror ou jogar Silent Hill, pode fornecer uma sensação de controle sobre a emoção. Saber que estamos em um ambiente seguro, apesar de nossa mente estar assustada naquele momento, nos permite enfrentar e superar os medos de maneira controlada. Senti-lo em um contexto fictício pode proporcionar uma forma de catarse emocional ao liberar e processar outras emoções negativas reprimidas. O medo, nesse caso, é capaz de funcionar como uma válvula de escape para sentimentos acumulados.

A sensação, muitas vezes, está ligada ao inesperado. Algumas pessoas sentem curiosidade e fascínio pelo que está além da zona de conforto. Sentir medo pode ser uma maneira de explorar as fronteiras do conhecido e experimentar emoções intensas associadas ao desconhecido.

O medo também pode fornecer um estímulo cognitivo interessante, levando em conta que o cérebro está sempre buscando novidades intelectuais. Ao enfrentar situações assustadoras, ele é desafiado a avaliar ameaças, buscar soluções e encontrar formas de lidar com o medo. Essa estimulação cognitiva pode ser atraente para algumas pessoas.

Mas vale lembrar que a atração pelo medo varia. Nem todos têm o mesmo nível de interesse ou prazer com a emoção, e cada indivíduo pode ter motivações diferentes para buscar experiências assustadoras. O medo também pode ser desagradável e aversivo para alguns, e é crucial respeitar as preferências pessoais dos indivíduos. Exatamente por isso, é impossível agradar a todos com um livro ou filme de terror.

Se você crê no sobrenatural, uma obra que o aborde pode ter um impacto muito maior do que em um cético. Você pode achar ridículo algo capaz de causar pesadelos em outra pessoa, e vice-versa. Logo, não existe unanimidade sobre nenhuma obra do gênero. É possível você ler um livro com vários comentários perturbadores e achar simplesmente chato, pois o que te assusta de verdade não está ali. É como na comédia: não existe nada que seja engraçado para todos, vai da preferência e da vivência de cada um. Muitos acham As Branquelas engraçadíssimo, e outros o julgam como um filme patético. Com o terror, é a mesma coisa.

Pensando nisso, ao escrever Caligem, eu sabia que não causaria medo em todos (apesar dos relatos de quem já leu antes da publicação afirmarem que o livro deixou os leitores aterrorizados). Por isso, procurei criar uma trama que fosse além de causar essa emoção. Caligem é perturbador. Se discordar disso ao lê-lo, há um sério risco de que seja um sociopata.

Redes sociais do autor: Dark Gero

Página oficial Izyncor do autor: Dark Gero

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