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Blog Izyncor

Muito além de games

A memória mais forte que tenho do meu primeiro contato com games de horror é sobre Resident Evil (1996) e Silent Hill (1999), do Playstation 1. Ambos os jogos me encantaram, mas naquele tempo ainda não tinha coragem de jogá-los. Assistir aos meus irmãos perambulando por cenários sombrios, repletos de segredos mórbidos e monstros traiçoeiros, era meu passatempo favorito. Com o tempo, entendi que o encantamento advinha do fato de controlarmos os personagens principais.

De alguma forma, nos tornávamos parte da narrativa assombrosa. O efeito do horror, em grande medida, reside na sensação de que as experiências sobrenaturais, violentas e cruéis podem acontecer conosco. Um bom jogo de horror – assim como um bom livro – cumpre essa função ao nos incomodar a ponto de fecharmos os olhos para não ver as coisas escondidas fazendo ruídos no escuro ou pausar o jogo antes do confronto com criaturas inimagináveis.

Foi com os jogos de horror que desde cedo, aos 8 anos, descobri o que era aterrorizar. Mais do que em outros gêneros, a narrativa nesse tipo de jogo é essencial para imersão satisfatória de quem joga.

Poderia listar muitos nomes conhecidos do grande público. Mas resolvi trazer um jogo que acredito ser pouco conhecido. A maioria das pessoas tem familiaridade com as franquias do início do texto. Resident Evil e Silent Hill, sem dúvida, são os jogos de horror mais famosos e apostam em clichês do horror para assustar, seja o apocalipse zumbi e as armas biológicas ou a exploração de realidades alternativas cheias de criaturas bizarras.

O jogo que trago difere dessas duas principais franquias por conta do seu caráter, puramente psicológico. Não existem monstros ou situações limítrofes nas quais as personagens precisam se armar. Tudo o que acontece é no âmbito mental e, por isso, assusta muito.

Layers of Fear é uma história de dois jogos e se tornou um dos meus preferidos do gênero. Desenvolvido por Bloober Team e lançado em 2016, tem o roteiro escrito por Andrzei Madrzak. Essa duologia alia o terror à arte de forma magistral. E, confesso, me inspirou a escrever muita coisa.

Layers of Fear (2016)

No primeiro jogo, vivemos na pele de um pintor enlouquecido do século XIX. À medida em que ele tenta descobrir o que aconteceu com sua família, se afunda em memórias bizarras sobre o que considera sua obra de arte perfeita. Não tem confronto direto com inimigos, mas sentimos que algo acontecerá a todo momento. Nossa única saída é correr. A narrativa é muito envolvente, poderia ser um roteiro de filme. Os cenários sombrios e confusos nos deixam imersos na mente atordoada do protagonista. O recurso da câmera em primeira pessoa cumpre bem sua função imersiva.

O segundo jogo da franquia é visualmente mais bonito, conta com quebra-cabeças novos, e a história em si é mais complexa. Há um inimigo recorrente nos perseguindo em momentos improváveis. A narrativa aposta no jump scare: apesar de constante, não se torna repetitivo. A narrativa foca na trajetória de um ator preso em um navio abandonado. Ele rememora seus traumas da infância, e a sensação de pavor é contínua. Há o acréscimo da apreensão de ser perseguido pela massa escura que surge a qualquer momento e pode matar.

Video Game Layers of Fear 2 (2019)
Layers of Fear 2 (2019)
Video Game Layers of Fear 2 (2019)
Layers of Fear 2 (2019)

Ambos os jogos possuem narrativas bem elaboradas e inspiradoras, tornando-os muito mais do que games para entreter. Finalizo o texto deixando outros títulos tão assustadores e imersivos quanto Layers of FearDead Space é um dos melhores jogos de horror espacial, na minha opinião. The Evil Within, herdeiro de Silent Hill, é uma história que mescla realidades paralelas e criaturas bizarras. Martha is dead é um terror surpreendente: te deixa confuso na maior parte do tempo e tem plots dignos de cinema. The Quarry é um jogo que aposta em temática de filmes com jovens dos anos 80 e na mecânica interativa: aqui, o jogador têm múltiplas escolhas, e elas influenciam na história. The Callisto Protocol é mais um jogo de horror espacial, herdeiro de Dead Space – não tão bom quanto, mas digno de bons sustos, acho. Esses são alguns dos meus jogos de horror favoritos e, assim como livros e filmes, também têm lugar especial no meu banco de dados inspirador.

Redes sociais da autora: Larissa Prado

Página oficial Izyncor: Larissa Prado

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