MENU

Blog Izyncor

A Inabalável Vontade de Contar Histórias

Antes de ir ao assunto, gostaria de deixar aqui as boas-vindas aos aventureiros dessa coluna. Muito obrigado a todos que me acompanham e àqueles que começaram recentemente a seguir essa minha nova jornada como escritor. Sejam bem-vindos ao Reticolando, minha coluna mensal aqui na Izyncor.

Agora vamos ao tema de hoje.

Se existe algo constante desde a infância para mim, são as histórias, ou o ato de contá-las. Não tenho lembranças dos primeiros anos de minha vida. Por incrível que pareça, porém, me lembro nitidamente de muita coisa ali pelos 4 anos.

E uma dessas lembranças é o fato de sempre ter amado contar histórias.

Histórias inventadas ou que eu ouvia na escola entre os colegas de classe. Sempre chegava em casa com uma aventura nova, e contava e recontava centenas de vezes, sem perder um detalhe.

Muito novo também comecei a desenhar, era como se as histórias da minha mente, sem espaço para crescer, simplesmente quisessem escorrer para fora, pelos olhos e dedos. Desenhar se tornou uma ação primordial para minha existência, e desde então não houve um dia que deixei de fazer mesmo que apenas um rabisco.

Sempre fui uma criança reclusa: gostava de ficar no meu canto e era pego sempre olhando para o horizonte com frequência, apenas existindo dentro de minha própria mente. Lá existia todo um mundo cheio de histórias e incontáveis personagens. 

Douglas Nogueira criança
Douglas Nogueira (Foto: arquivo pessoal)

Tive sorte de ter pessoas a me motivar sempre. Minhas avós foram as que mais me ajudaram a moldar esse lado criativo: nunca deixaram faltar uma folha de papel. Mesmo se fossem de impressoras, usadas de um lado, mas ainda assim muito boas para rabiscar e escrever.

Minha vó Maria era professora, e sua casa vivia abarrotada de livros (principalmente da coleção Vagalume). Na primeira oportunidade eu estava lá entre eles, lendo e relendo, me aventurando por aqueles mundos fantasiosos e incríveis.

Nasci em Minas Gerais, em Patos de Minas. No entanto, boa parte da minha infância foi em São Gonçalo do Abaeté, cidade na qual minha avó paterna reside até hoje. Foi lá que fiz o primeiro livro das minhas lembranças. Uma história curta de poucas páginas (já ilustrada) recontando a fábula da Lebre e da Tartaruga. Nela, a tartaruga se aproveitava de uma soneca da lebre e criava um tipo de bicicleta motorizada. Assim, ela ganhava a corrida e ainda ficava mais rápida do que a adversária.

Minha vó guarda esse pequeno livreto até hoje a sete chaves.

Minha avó materna também tem outro livro, que criei com aproximadamente 12 anos, todo escrito à mão em folhas sulfites. Nessa época, estava aficionado em histórias policiais, sabia que ela amava o gênero. Então, escrevi uma história sobre um tal de Oséias Leon e o mistério de um assassinato cheio de rituais egípcios.   

Escrevi outros títulos ao longo do caminho, inclusive um de fantasia, cheio de lobisomens e coisas folclóricas, chamado de o Cão do Ébrio (ô, vontade de recontar essa história). Todos à mão, com letras de forma imitando livros clássicos, ilustrados; alguns guardei com carinho, outros perdi pelo caminho.

Mas chegou o momento em que a vida acelerou demais. Tive de começar a trabalhar muito cedo, ajudando em todo o possível. Então, desenhar e escrever começou a se tornar um passatempo, algo permitido apenas aos finais de semana.

Mesmo sendo meio recluso e vivendo no mundo da lua, nunca fui um mau aluno. Amava aprender coisas novas, e isso me ajudou muito na escola, pois só recentemente vim a descobrir o TDAH.

Ia tão bem nas matérias que, por um breve momento, à procura de minha primeira faculdade, me iludi completamente com o pensamento de estudar Química. Pensei ser meu propósito de vida. Comecei a faculdade e rapidamente me vi com severas dificuldades, não consegui seguir em frente. Isso me fez sentir frustrado.

Entendi que, na época, minha motivação para ser tão bom em Química não era a matéria, e sim o professor. Lembro muito bem dele, lá pelos seus 40 ou 45 anos, carismático e risonho. O professor Cebola começava as aulas com uma história envolvente e cheia de mistérios: “como alguns amigos elementos faziam para juntar forças e se transformar na água, na glicose, etc.”

O que me encantava era o jeito que ele dava as aulas, tornando-as tão cativantes e fáceis de se assimilar. Aquilo me fez acreditar ser um gênio da Química.

Logo depois, em 2009, entrei para a universidade de Design, já emendando outra em Design Gráfico. Ambas foram finalizadas em 2012. Desde lá, trabalhando com design, publicidade e ilustração (quando dava), algo cutucava lá no fundo: aquela necessidade irritante de contar minhas histórias e me conectar com as pessoas através delas.

Foi então que, em 2015, me casei. E devo dizer que, além de minhas avós, outra pessoa a me motivar, a me encorajar e me fazer acreditar ser bom o suficiente para trabalhar com arte foi minha esposa. Te amo, Suzi. Ela me deu o empurrão final para entrar de cabeça e começar a tentar a vida como artista, e depois como autor.

Quantos anos fiquei sem escrever uma linha? Desenhando e contando histórias para mim próprio, achando que elas não impactariam ninguém?

Hoje, aquele menino distraído, que vivia nas nuvens, entre mundos imaginativos e fantasiosos, estaria feliz. Pelo menos é assim que ele está aqui dentro, mesmo com todas as dificuldades e turbulências.

Queria voltar no passado, me abraçar e dizer: “não desiste de sonhar, menino. Conta suas histórias. Estuda o que tem vontade, e não deixa ninguém te dizer que não vai dar certo”.

Hoje sinto a certeza de que, para mim, narrar aventuras desenhando ou escrevendo é como o ato de respirar: necessário.

Como uma inabalável vontade de contar histórias.

Douglas Nogueira a contar histórias
Douglas Nogueira e sua inabalável vontade de contar histórias (Douglas Nogueira)

Redes sociais do autor: Douglas Nogueira

Página oficial Izyncor: Douglas Nogueira

Palavras-chaves

Douglas Nogueira, Reticolando, coluna, memórias, contar histórias, desenhar, TDAH, faculdade, designer, autor

Uma resposta para “A Inabalável Vontade de Contar Histórias”

  1. Muito maravilhosa essa auto biografia, saber sua história , sua trajetória , saber que sempre teve o apoio e que nunca deixou esse sonho abandonado é muito inspirador, eu amor desenhar animais e trabalhar com arte , espero poder tambem ser cintratada esse ano pra conseguir comprar o meu tablet para fazer desenhos ilustrados tambem, você é uma inspiração para varios artistas e escritores , sinto muito orgulho de você, espero que continue sendo assim pondo amor em casa obra , em casa desenho , porque isso é a melhor coisa que alguem Tao especillal faz ❤️

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *